chave da felicidade

a dona eliete me irrita. ela me fala coisas que meu namorado e minha mãe dizem, mesmo tendo conversado comigo pouquíssimas vezes. acho que o diploma dela interfere, nesse caso. muitas vezes eu tenho vontade de perguntar pra ela se ela curte o que ela faz, onde ela fez faculdade e enfim. mas toda vez que eu jogo a pergunta pra ela, ela diz, com a voz calma: 'estamos aqui pra falar de você. porque você acha que sempre foge das situações?'.

mas ontem ela me irritou mais do que nunca, porque ela disse: 'você é rígida demais. se continuar exigindo mais de você do que pode dar, mais das pessoas do que elas podem dar, mais da sua vida do que ela pode dar, vai enlouquecer de vez. a chave da felicidade é saber lidar com as frustrações, pois elas existem. você é sensível demais, tantas frustrações e perdas e decepções estão te deixando nesse estado'

então eu refleti e disse, calmamente: 'dona eliete, posso perguntar uma coisa? a senhora está dizendo que quando eu tomar a decisão de exigir menos do mundo eu vou de fato exigir menos do mundo? porque a senhora faz parecer fácil, a senhora faz parecer que eu não f aço isso porque sou uma burra!'

 e ela sorriu.

drops

bom, como todos sabem - já que o kurt cobain ensinou - 'só porque você é paranóico, não significa que eles não estão atrás de você.' partindo dessa premissa, aqui está um fato: estou começando a ficar chateada com a zoação constante que as pessoas fazem sobre meu vocabulário. eu percebo as pessoas fazendo comentáriozinhos e dando risadinhas quando eu falo alto na sala e isso é irritante. eu não estou sendo prepotente quando falo palavras que os outros não tem costume de usar. estou sendo eu mesma. é o único jeito que eu sei falar. mas, eu tenho uma amiga que é muito sábia - talvez a pessoa mais sábia que eu conheço - e a seguinte situação aconteceu: eu estava preocupada porque tinha comprado um vestido muito glamour prateado e cheio de babados e super brilhante e tal pra passar esse ultimo reveillon que teve aí, e averiguando as roupas das outras, descobri que todo mundo ia bem mais a vontade, de short e bata, por exemplo. quando eu disse que achava que ia com outra roupa, ela me disse algo desse tipo: "nadz, você comprou esse vestido especialmente pro reveillon. você tem que usar. nunca tenha vergonha de estar mais bem-vestida do que os outros. se é pra ter vergonha, tenha vergonha de andar mal-vestida!"
e é nisso que eu penso. melhor falar 'uma vez que', 'ao passo que', e coisas do tipo, do que falar 'tipo assim'.

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estou numa ansiedade muito louca no momento. amanhã sai a oitava chamada da unicamp. a situação é a seguinte: minha primeira opção é pedagogia noturno. fiquei em 115ª nessa. a sétima chamada chamou até o 108ª. minha segunda opção é pedagogia integral. fiquei em 121ª. a sétima chamada chamou até o 120ª.
não consigo não me alegrar com isso, mesmo que minha chances reais sejam mínimas. afinal, pode faltar 7 posições pra mim na primeira opção, e até mesmo UMA SÓ na segunda opção, mas isso não quer dizer nada. não tem como eu saber se vão chamar mais pessoas, só porque vai ter mais chamadas. tenho na minha mente que amanhã vai ser o final de tudo, tudo mesmo. se não chamar ninguém, provavelmente não chama mais ninguém até o final(não é como se mesmo assim eu não vá ficar olhando como uma retardada); se chamar, eu estou dentro. vou pra unicamp.
eu quero ir pra unicamp não por achar que ela é superior à unisal, porque eu não tenho como saber isso. quando se trata de faculdade, não é apenas nome que conta, mas sim a qualidade. tenho professores excelentes na unisal, excelentes mesmo. se eu for chamada, vou sentir falta deles. também não é porque eu acho que os alunos de lá sejam melhores do que aqui, nem porque eu acho que vou me encaixar melhor lá.
as razões são bem simples: 1. eu pago mais de 400$ de mensalidade na unisal, a unicamp é de graça 2. desde que eu tenho 18 anos esse vem sendo meu sonho, e eu estou cansada de ler sempre NÃO CONVOCADA. esse é a terceira vez que eu tento. se for contar com todas as chamadas pelas quais já passei, vem aí mais sete NÃO CONVOCADA. queria saber que eu sou capaz, só isso. 3. meu namorado e todos os amigos que eu tenho que não moram há 300km de distancia moram em campinas. está ficando cada vez mais chato não poder, no meio da semana, ligar pra alguém e dizer: 'vamos sair? preciso conversar...' e eu poderia fazer isso se fosse pra lá. principalmente, me irrita demais não poder ver meu namorado quando quero.
e é por isso que eu quero MUITO ir pra lá.
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eram três coisas, mas esqueci a terceira.

fucking tired of feeling empty, weird and angry.

me sinto cansada e vazia. a vontade de levantar e fazer alguma coisa paira sobre mim, sem realmente chegar perto. tudo paira sobre mim, anda em voltas sobre mim, mas nada chega realmente perto. olho para as coisas como um triste espectador, sem grande interesse no que vai ou não acontecer. eu mesmo pairo sobre mim sem chegar realmente perto.
não entendo como meu corpo pode ser incapaz de responder à certos impulsos, uma vez que minha mente borbulha cheia de de idéias.
me sinto como um tetraplégico, que olha suas pernas e pensa em mexê-las com toda a força de vontade que possui e mesmo assim as vê imóveis, sem nem ao menos esperar que elas se mexam.
ele se lembra de como é senti-las... mas cada vez menos. as vezes sente cócegas no calcanhar, mesmo sabendo que, embora o encare, virtualmente ele nem ao menos existe. como se fossem as pernas de outra pessoa, que logicamente não responderiam às vontades de sua mente.
continuo esperando em vão o dia em que o complexo, gracioso e apaixonado tango que imagino não viverá apenas na minha imaginação.

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não enxergo o óbvio, porque vejo atravez dele. todos se parecem levemente com personagens de uma história que não foi escrita, mas é constantemente imaginada por mim. aquela de riso fácil e cabelos loiros seria uma vilã luxuriosa. a menina de óculos e pernas de fora poderia se encaixar no papel da assistente burra, que no meio da peça passa a fazer parte da trupe heróica e bondosa. aquela menina pequena, sem aparente noção da realidade ou qualquer maldade, deveria ser a heroína, se eu dirigisse essa história. mas não dirijo. como posso esperar dirigir pessoas que nem ao menos conheço se não consigo representar papel algum na minha própria vida? passo tanto tempo pensando em coisas que não existem e querendo que as pessoas sejam aquilo que eu espero que elas sejam - o que realmente tornaria tudo mais fácil! - que a realidade se esvai das minhas mãos. quando vejo, o tempo já passou. e com esse tempo, todos se revelam aos meus olhos como aquilo que já são há muito tempo, mas que eu, ocupada em fantasiar a vida, não pude ver. não se pode culpar a árvore que cai pela falta de barulho SE não há ninguém na floresta pra escutar.
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o grito de ódio morre dentro de mim sem ter ao menos a chance de nascer. meu coração bate rápido, muito, muito rápido, o que me leva a uma tontura chata e insistente. há tempos descobri que mesmo se eu não dizer o que penso, continuo a pensar. o efeito de querer gritar é talvez pior do que o efeito que realmente gritar causaria em mim. mas não atinge aos outros, que continuam a me ver como a menina estranha e quieta, sobre a qual se pode pisar, pois ela não reage. talvez eu tenha desenvolvido um mórbido prazer em ser pisada. pelos outros... e por mim mesma. continuo tendo um medo imenso do dia em que cansarei, levantarei e gritarei. alto, mais alto do que o barulho normal e mundano. um grito de desespero ou de ódio, ainda não sei qual. um grito que ensurdecerá as pessoas e estourará minhas cordas vocais. quais seriam as consequencias?

O Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL), também muito conhecido como Transtorno de Personalidade Borderline (TPB), Transtorno Estado-Limite da Personalidade é definido como um grave transtorno de personalidade caracterizado por desregulação emocional, raciocínio extremista (cisão) e relações caóticas. Pessoas com personalidade limítrofe podem possuir uma série de sintomas psiquiátricos diversos como humor instável e reativo, problemas com a identidade, assim como sensações de irrealidade e despersonalização. Com tendência a um comportamento briguento, também é acompanhado por impulsividade sobretudo autodestrutiva, manipulação e chantagem, conduta suicida, bem como sentimentos crônicos de vazio e tédio. Esses indivíduos são aparentemente vistos como “rebeldes”, “problemáticos” ou geniosos e temperamentais, no entanto, na realidade possuem um grave distúrbio. É frequentemente confundido com depressão,transtorno afetivo bipolar ou portador de psicopatia, sendo considerado um dos mais complicados transtornos de personalidade, com grande dificuldade de tratamento.
O TPB é um grave distúrbio que afeta seriamente toda a vida da pessoa acometida causando prejuízos significativos tanto ao próprio indivíduo como às outras pessoas. Frequentemente eles precisam estar medicados com algum tipo de medicamento psicotrópico como antidepressivos para evitar um descontrole emocional intenso.
Os sintomas aparecem durante a adolescência e se concretizam nos primeiros anos da fase adulta (em torno dos 20 anos) e persistem geralmente por toda a vida. Essa fase pode ser desafiadora para o paciente, seus familiares e seus terapeutas, mas na maioria das vezes a severidade do transtorno diminui com o tempo. Como os sintomas tornam-se perceptíveis principalmente na adolescência, a família desses indivíduos podem supor que a rebeldia, impulsividade, descontrole emocional e instabilidade da auto percepção e valores são coisas típicas da idade, mas geralmente não fazem ideia que estão diante de um ente com um grave distúrbio que sofre muito por ser assim.
As perturbações sofridas pelos portadores do TPL alcançam negativamente várias facetas psicossociais da vida, como as relações em ambientes escolares, no trabalho, na família. Envolvimento com drogas, tentativas de suicídio e suicídio consumado são possíveis resultados sem os devidos cuidados e terapia. A psicoterapia é indispensável e emergencial.
A maioria dos estudos indica uma infância traumática (diversas formas de abusos; separação dos pais, ou a soma de ambos e outros fatores) como precursora do TPL, ainda que alguns pesquisadores apontem uma predisposição genética, além de disfunções no metabolismo cerebral.
Estima-se que 2% da população sofram deste transtorno, com mulheres sendo mais diagnosticadas do que homens.

Sintomas afectivos
1. Instabilidade afetiva acentuada devida reatividade intensa do humor (por exemplo: episódios de disforia, irritabilidade, ou ansiedade geralmente durante algumas horas e raramente, no máximo, alguns dias).
2. Ira, ódio ou raiva inapropriados, intensos e de difícil controle (por exemplo: apresenta frequentes demonstrações de irritação, raiva constante, sentimento de vinganças, lutas corporais recorrentes.)
3. Sentimentos crônicos de vazio e tédio.
Sintomas impulsivos
4. Conduta recorrente de tentativas ou ameaças de suicídio e comportamentos de automutilação.
5. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, caracterizado por extremos de idealização e desvalorização, ou amor e ódio, bom ou mau etc.
6. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo, exageros em: gastos financeiros, sexo, drogas, álcool, direção imprudente, comer, cleptomania ou outros tipos de compulsões.) Nota: não incluir comportamento suicida ou auto-mutilante estabelecido no critério 4.
Sintomas interpessoais
7. Esforços frenéticos para evitar um abandono/rejeição real ou imaginado. Nota: não incluir comportamento suicida ou auto-mutilante estabelecido no critério 4.
8. Instabilidade na identidade: auto-imagem, preferência sexual, gostos e valores persistentemente instáveis.
Sintomas cognitivos
9. Ideação paranoide transitória relacionada ao estresse, ou severos sintomas dissociação.

imaginação

"all children are artists. the problem is how to remain an artist once he grows up" disse pablo picasso.
ele também disse que para pintar como os renascentistas ele levou anos, mas para pintar como crianças levou a vida toda!



tenho me confrontado muito com as diferenças entre adultos e crianças, já que estudo pedagogia.
e a maior até agora é essa: a imaginação e a espontaneidade que se esvai, pra que a razão, a hipocrisia e o politicamente correto tome lugar.
essa semana na aula de produção de texto e literatura estive estudando os contos de fada e o poder que eles tem na educação e formação de mentes. então a professora sugeriu: vamos todos sentar em grupos e tentar escrever nosso próprio conto de fadas.(essa parte é meio nebulosa na minha mente, não tenho certeza se ela disse 'história infantil' ou 'conto de fadas', mas enfim).
primeiro tínhamos que definir onde a história se passaria. num castelo, numa floresta, numa escola, e casa, num país encantado, onde? depois vinha a moral da história. a história vai ensinar a criança a ter coragem? o valor da amizade? da perseverança? de ir a escola? hein? hein??
eis que eu estava em um grupo de meninas que eu não conhecia e a primeira sugestão foi: vai ser em uma floresta! eu tinha tido outras idéias, mas essa me parecia aceitável. aí veio a pedrada: 'COOOM CERTEZA vamos falar de preservação do meio ambiente, néeeam??'
e eu pensava: 'mas que bosta! é uma história pra criança!! isso é importante, mas pra quê enfiar essa merda de sustentabilidade em tudo?? não é hora, porra.' aí eu disse: 'mas vai ser uma história fantástica, né? com poderes, bichos falantes, coisas que voam e afins?' e elas: 'claro que não! esse é um assunto muito sério pra tratar desse jeito! e eu pensava: 'MAS QUE BOSTA AO QUADRADO! claro que tem que ser educacional, mas porque não pode ser divertida, lúdica e o caralho a quatro???'
eu fiquei na minha, porque sou mega frouxa e assim foi indo.
'o menino da cidade grande birrento e mal-educado vai passar as férias no sítio da vó, e lá um menino da roça ensina à ele o valor da natureza'. e eu: 'ele podia na verdade ter ido acampar e aí ele se perde e aí os índios salvam ele e ele começa amar a natureza, e aí tem um macaco falante e aí...' e meus olhos brilhavam. aí elas: 'poxa, mas isso não faz sentido, quais as chances de isso acontecer?? tem que ser mais realista, afinal esse assunto blábláblá yadayadayada'
e eu pensava: 'VOCÊS SÃO O AL GORE, POR ACASOOO??? ESSAS CRIANÇAS TEM 4, 5, 6 ANOS!!! TEM QUE TER UM BICHO QUE FALA!! É UM CONTO DE FADAS, CARALHO!!! CADÊ AS FADAS???????????'  e sorria e acenava.




nossa, como isso me chateou!
eu sou da opinião que essa molecada te a vida inteira pra sofrer, se desiludir, se foder e afins, nós vamos ser responsáveis por eles do 0 aos 10 anos, que é a única época inteiramente boa que existe. sou totalmente a favor de ensinar coisas sérias desse tipo, eles tem que se acostumar a valorizar e amar a natureza desde piquerruchos, mas é rídiculo fazer as coisas desse jeito. dê bichos falantes pra eles! eles tem a vida toda pra descobrir que, por mais que procurem, o papagaio é o que chega mais perto de bicho falante e o omnitrix do ben 10 não existe e todas essas merdas.


eu realmente acho que imaginação não faz mal a ninguém, muuuuuito pelo contrário. se a gente tivesse mais disso, seriamos mais felizes.




aliás, para todos aqueles que julgam a pedagogia como um curso fácil e besta: realmente, entrar no curso de pedagogia é mais fácil. realmente, terminar o curso de pedagogia é relativamente fácil. mas ser um bom educador??? OH, MEU DEUS, não, não é fácil. se você fosse capaz disso, não deixava seus filhos na escola por 12 anos. e não, não é besta. se você entrou em uma faculdade e lê textos infinitos de grandes pensadores, reflita: o que você conseguiria se alguém nunca tivesse te ensinado a ler e a escrever? onde você teria chegado?
e para aqueles que acham que eu vou ser babá ou que vou brincar com as crianças eu digo: serei uma educadora. e essa é a profissão mais nobre que existe. seu médico passou pela educação infantil e fundamental. seu policial também. todos os seus professores. seu governador, seu advogado, todos eles. e não se esqueça: você também. e eu posso apostar que fez uma bruta diferença na sua vida se seu professor era um bom educador. seja humilde e largue de arrogância, porque a pedagogia é tão ou mais essencial do que qualquer outro curso. beijos.

paper mario 64 e a falta do que fazer

sempre que venho postar aqui eu tento fazer com que fique ao menos interessante. não se enganem, eu tento. hoje nem vou tentar, porque eu simplesmente TENHO que contar algo super triste que aconteceu comigo sexta a noite, por mais 0,00000 interesse que isso tenha na vida de NO ONE.

minha irmã está morando em São Paulo. meu pai foi viajar com os amigos dele para o Rio e minha mãe foi sair baladear com as amigas dela (hm, meus pais pós-separação estão super modernetes e pra-frentex).
fiquei sozinha, e o que se faz quando se está sozinha em casa numa sexta a noite???
( ) dá-se uma festa
( ) dança-se pelada
( ) fica-se super bêbada
( ) chama-se alguém pra vir te comer
(x) joga-se video game por 7 horas seguidas


e foi isso que eu fiz. venho jogando Paper Mario 64 há 6 meses agora e a coisa tá trash. são 8 capítulos, 8 bosses, 8 fases coma Peach e 8 Star Spirits para recuperar, em suma (são muito mais objetivos, actually), dos quais só havia completado 4. EM SEIS MESES. USANDO CHEATS.
tentei usar a solidão e o silêncio para me concentrar, porque como eu disse por aí semana passada, eu não quero me divertir, eu quero ganhar.

o resultado foi devastador. consegui fechar um capítulo, matar um boss, recuperar uma star spirit e tinha acabaaado de terminar a fase coma Peach(que segue todos os End of Chapter) quando o emulador pifou. pifou. puff.

fiquei louca da vida. louca, desvairada. porque o emulador vem dando problema há dois meses e ele não salva sozinho. sempre tenho que apertar o F5 pra salvar e o F7 pra continuar. e eu não tinha a menor idéia de quando tinha sido a ultima vez que eu tinha salvado. fui avaliar o dano e abri o emulador  de novo.
apertei F7 e lá estava: eu tinha salvo no meio do capítulo!!! não tinha nem passado do chefe!!!!!!!!! OMG

fiquei putíssima.  resolvi ver se o emulador estava funcionando direito e tinha salvado sozinho.
quando abro, o jogo está no começo da fase da Peach. eu penso: 'nossa, pelo menos isso --' e aperto F5. quando vou continuar a jogar...


 A FASE DA PEACH SALVA ERA DO CAPITULO TREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEÊS.


terei que fazer dois capitulos de novo, coisa que me levou 3 meses pra fazer da primeira vez, beijos.

um daqueles dias

hoje é um daqueles dias que eu não estou a fim de escrever sobre nada em particular. digo 'um daqueles' porque eles acontecem com frequencia, mas nem sempre viram posts.
ultimamente tenho tido uma bruta dificuldade de postar porque ficar na internet de madrugada virou uma coisa possível, graças ao recém adquirido roteador; e sendo assim, estar na internet de dia perde o sentido e digitar fica complicado. eu digito muito rápido e muito barulhentamente. e meu pai, que além de roncar não consegue dormir de porta fechada, acorda com o barulho e me ameaça de diversas formas.


estive refletindo sobre um fenômeno que acometeu a minha vida - justamente aquele que me fez criar esse blog: eu não escrevo mais.
ano passado não mantive agenda ou diário, larguei o fotolog, parei de escrever cartas. o resultado disso é que se alguém que se interessa muito pela minha vida ler relatos que eu guardo sobre minha vida não-tão-recente-assim, não me reconheceria de maneira alguma. a diferença entre a nádia de 2008 e a nádia de 2001 é bruta. pode ser que seja algo natural, que ocorre em alguém dos 18 aos 21, mas eu estou falando de algo muito...  profundo. e é triste saber que eu não mantive nenhum tipo de registro sobre a metamorfose. ainda que não seja nada tão kafkaniano assim, não deixa de ser mudança, e alguém que não vai lá com as caras dessas abomináveis alterações de estado, modelo ou situação só pode dizer: pimenta nos olhos dos outros é refresco.


o fato é: nunca fui pessoa das mais populares, mas se é que alguém mantem guardado algum esboço ou traço da minha personalidade na memória, 7 entre 10 pessoas dirá: 'ela é extrovertida, expansiva, engraçadona, agregadora de pessoas!'


não sou mais. nada disso.
bia me diz que eu sou sim, eu estou só insegura de me mostrar tão descaradamente para os outros. mas o fato é que ser rotulada como tudo isso - e mais uma porção de coisas que eu não vou dizer para não parecer arrogância - priiincipalmente pela minha família, destruiu com a minha segurança. parece que eu nunca, jamais, em tempo algum vou conseguir corresponder a nada disso; e me ver falhando tanto e decepcionando tanto me colocou dentro de uma bolha.

não gosto disso. e estou triste.
esses tempos atrás postei sobre me sentir abandonada. continuo me sentindo assim, com a única diferença de que agora entendi o porquê, e não foi nada agradável.



andei lendo o velho e gasto Charles Dicken's David Copperfield que meu amigo Ted me emprestou em 2006, e aí ele fugiu pra China e eu não tive tempo de devolver. eu acho ótimo, esse livro aí. primeiro porque eu sou apaixonada pela ambientação dele, a Inglaterra de trocentos anos atrás, com diligências e xelins e botas apertadas e colégio internos e afins. segundo porque o Charles Dickens escreve de um jeito apaixonante. terceiro porque eu tenho muita dó desse menino, e ao mesmo tempo rola uma indentificação.
por exemplo: logo que a mãe dele morre e ele vai morar em Londres com apenas 10 anos, trabalhar no lance do padrasto dele, o coitado se fode infinitamente. vai morar com uma família muito boa, mas muito muito pobre, um esquema meio Weasley. vive nas casas de penhores, vira e mexe não tem o que comer. aí o Micawber são presos, e ele vai visita-los na cadeia. ou seja, uma rotina nada certa pra um guri de 10 anos. então ele foge a pé, de Londres até Donver, dormindo no relento e vendendo suas roupas pelo caminho pra comprar comida (ainda bem que naquela época um jogo de strip poker deveria levar hoooras, tamanha era a quantidade de peças de roupa que aquele povo usava). okay. depois ele encontra redenção, casa, comida, e volta pro colégio. só que quando ele chega lá, ele não fala com ninguém, porque tem medo que qualquer coisa no jeito de ele falar ou no tipo dele denuncie pra'queles meninos ricos e bem criados os lugares por onde ele já esteve. ele tem medo de se abrir, se mostrar, e as pessoas depreciarem ele, não entenderem, sei lá. ele tem medo de sofrer mais.

pois bem. com isso eu me indentifico. eu comecei a faculdade há uma semana, e eu ainda tenho muito medo de falar com as meninas com as quais eu ando. muito muito medo. primeiro porque todas as coisas que eu passei nos ultimos dois anos me fez ver quão chata e desinteressante eu sou. depois porque quando eu estava no objetivo, eu tentei fazer amizade com várias pessoas, e tudo o que eu recebi foi desprezo e chacota. realmente enfiaram na minha cabeça que eu sou estranha.
mas pense comigo, leitor-que-provavelmente-não-existe: eu sou necessariamente estranha só por ter um namorado há dois anos e não ter interesse nenhum em garotos e pegadas e sair pra balada pra pegar geral ou fazer chapinha compulsivamente pra agradar possiveis candidatos/por não me sentir confortavel do jeito que eu sou e me preocupar com cada peça de roupa que eu visto e coisas do tipo? eu não estou dizendo que todas as outras pessoas são assim, mas foi só isso que eu encontrei no objetivo. eu não gosto de ir pra balada. eu detesto ficar de pé a noite inteira em um lugar com um som ensurdecedor que não permite que a gente converse. só que assim, eu faço isso. pelos meus amigos eu faço, e faço com prazer e com sorriso. só que daí a ir e ficar num canto sozinha porque cada um tá atrás de um broto pra si, enche o saco depois de um tempo.
e outra: eu sou estranha porque não uso msn? porque prefiro jogar video game do que conversar com gente que eu mal conheço pra tentar criar vínculos forçados? aliás, eu sou estranha por ter vinte anos de idade e jogar videogame o tempo inteiro e ouvir jazz? ou por não usar maquiagem? ou por ter um senso de humor 'peculiar' e rir de coisas que ne todo mundo ri? ou por ser infantil e detestar ser adulta, mesmo que tenha várias pessoas que nem ao menos pagam suas contas e que a mamãe dá o dinheiro da balada e que gostam de ficar posando de adultona? ou por querer ir pra balada de jeans e camisa xadrez que eu sei que é tosca mas é confortável? e por gostar de falar de coisas non-sense? CARA, eu juro, ju-ro, eu prefiro ser assim e as pessoas terem vergonha de me convidar pra sair com seus amigos do que fingir ser uma pessoa que eu não sou.
até porque demorou, mas eu saquei: eu. não. sou. estranha.
você que é.
não quero ir pra faculdade. nenhuma. quer dizer, até quero, mas muito mais pra fazer amigos e ser convidada para festas do que qualquer outra coisa. acho ridicula essa imposição de VOCÊ TEM QUE IR PRA FACULDADE. mesmo por que, eu até adoraria ser professora, mas eu sei porque eu sei porque eu sei que vou ser bem mais feliz sendo do na de um bar. eu sei disso. é isso que eu quero. já entendi que para conseguir dinheiro/emprestimo para começar o meu bar eu vou ter que ter um emprego fixo, bom, assinado. e pra isso eu meio que tenho que fazer faculdade. mas eu acho isso um desvio desnecessário e chato. a verdade é que eu sempre tive tanta certeza que queria ser professora de história que quando eu me dei conta que odeio história fiquei mais perdida do que os caras da ilha de lost. se bem que as vezes me ocorre que talvez não seja a história que eu odeie, talvez seja apenas a vida academica, na verdade.
de fato, me sinto caindo fatalmente numa espiral que vai me fazer me sentir pior do que já me sinto ao começar mais um curso. me dá a nitida impressão que eu odeio tanto ir pra faculdade que eu vou acabar pegando odio de mais uma opção, a pedagogia. e aí eu vou pra psicologia. e aí eu vou pra letras. e aí eu vou pra midialogia.  e assim será até eu ter 30 anos e ter prestado 40 vestibulares, e vamos combinar que apesar de eu não gostar nem um pouco de ser universitária, ser vestibulanda não fica atrás na escala de ódio.

eu gosto de escrever. só isso. e quero ter um bar rock'n'roll, com tantas opções de cerveja, comida e drinks e uma decoração tipo a do Pub Square, mas com o clima camarada e não-precisa-usar-salto-mas-quem-quiser-usa do Primo's, o atendimento do Osteria, a música boa do Woodstock e a cerveja barata do Nosso Café. é pedir demais?? talvez seja.

eu já tenho na minha mente como vai ser o cardápio, a cor das paredes, o nome dos drinks(e sim, terá o mundialmente famoso Cólera do Dragão!), os clientes e até mesmo o lugar que ele será.

life-changing decisions made

ainda estou assustada. mas assim é.
de qualquer forma, hoje ouvi do meu pai: 'não tenho como tomar nenhuma decisão agora, porque não sei o que vai acontecer esse ano'. agora ouço minha mãe e minha irmã conversando. bia diz: 'não posso garantir nada, nem sei onde vou estar esse ano!' mamãe responde: 'é verdade... com todas essas incertezas, é impossível decidir nada.'

minha mãe passou no vestibulinho para curso técnico em edificações, trabalha para a prefeitura. mas eu, meu pai e minha irmã estamos loucos. a bia não sabe se passou na usp nem na unesp, se vai para rio claro, pra são paulo ou vai ficar em americana. eu não sei se passei na unicamp, se vou para a fam ou se vou passar na unisal. meu pai não sabe quando o dono do apartamento que ele mora vai vender o apartamento, e por isso nem pode instalar internet lá. nem sabe onde vai morar ano que vem. não sabe se vai passar no concurso e vai pra pernambuco.

ninguém sabe de nada.

é estranho justo nesse momento eu resolver tomar a decisão que tomei, mas me ocorreu que é agora ou nunca. ainda acho a idéiameio idiota, meio impossível e meio complicada, tanto que não contei pra ninguém, só pra minha mãe e pro allan, porque eu sinto que todo mundo vai rir de mim e/ou me julgar, e isso é muito sério. prefiro que a idéia esteja num estágio profundamente enraizado na minha mente antes de me expor a
contra-argumentos. sei lá.


mas, anyway, continuo achando, do alto da minha urgência e drama pós-adolescente, que esse é o único jeito de eu ser feliz.

Retrospectiva

tentei fazer uma retrospectiva de 2010. falhei miseravelmente. me surpreendi ao perceber que fazer uma retrospectiva da minha vida inteira seria mais fácil. então fiz. 20 anos.

em 1990 nasci. em 1991 aprendi a falar e a andar. em 1991 ganhei uma irmãzinha. em 1993 fui para a escola pela primeira vez, por 2 dias. em 1995 fui para a escola pela segunda vez, por 13 anos. em 1996 tive minha primeira paixãozinha. em 1996 aprendi a ler e escrever. em 1998 li meu primeiro livro, A Mina de Ouro, da Maria Jose Dupre. em 1998 mudei de casa pela primeira vez. em 1998 apareci no programa da Eliana. em 1999 minha avó morreu, na noite de natal. em 2000 mudei de escola pela primeira vez, fui estudar em uma escola pública. em 2001 mudei de escola pela segunda vez, fui estudar em uma escola particular. em 2001 meu avô morreu, no dia em que eu tinha prova de informática. em 2002 ouvi Beatles pela primeira vez. em 2002 fiz amigos pela primeira vez. em 2002 tive minha primeira paixãozona. em 2002 comecei a cantar no coral da escola. em 2003 mudei de escola pela terceira vez. em 2004 comecei a jogar handball. em 2005 ganheimeu primeiro computador. em 2005 mudei da escola pela quarta vez, e foi uma das melhores coisas que já aconteceu nessa minha vida. em 2005 tomei a minha primeira dose de bebida alcoolica. em 2005 conheci minha melhor amiga. em 2005 tirei minha primeira nota vermelha. em 2005 larguei do coral. em 2005 cabulei aula pela primeira vez. em 2005 dei um beijo ao som de Lithium, Nirvana. em 2005 repeti de ano. em 2006 fui para balada pela primeira vez, com aqueles amigos que eu fiz em 2002. em 2006 vi Itapeva pela primeira vez. em 2006 'conheci' meu melhor amigo. em 2007 mudei de cidade pela primeira vez. em 2007 mudei de escola pela quarta vez. em 2007 me tornei uma Maria. em 2007 comecei a fazer Edificações. em 2007 passei meu primeiro reveillon com as Marias. em 2008 fiquei amiga da minha irmã. em 2008 tomei meu primeiro porre homerico. em 2008 eu era da começão de formatura e organizei uma festa para 300 pessoas em uma semana. em 2008 eu me apaixonei. e sofri a decepção amorosa mais ridicula da minha vida. e fiquei de coração partido três vezes mais tempo do que fui apaixonada. em 2008 larguei Edificações. em 2008 fui pela primeira vez ao Primo's. de muitas. em 2008 comecei a fumar. em 2008 fiquei com um cara por quem eu fui apaixonada um ano.em 2008 quebrei o coccix e a cara. em 2008 perdi a virgindade. em 2008 tive meu primeiro namorado sério. em 2008 terminei a escola. em 2008 tive um DIA 20. em 2008 terminei com meu primeiro namorado pela primeira vez. em 2008 passei meu segundo reveillon com as Marias. resumindo, em 2008 dancei até a hora que a banda parou, bebi até a hora que a cerveja acabou e me diverti até a hora que o dia clareou mais vezes do que poderia lembrar, mas mesmo assim me lembro. em 2008 morei na melhor cidade do mundo. em 2009 voltei com meu primeiro namorado. em 2009 terminei com meu primeiro namorado pela segunda vez porque havia conhecido meu segundo namorado. em 2009 comecei a namorar meu segundo namorado. em 2009 mudei de cidade pela segunda vez. em 2009 cai num buraco. em 2009 passei meu terceiro reveillon com as Marias. em 2010 comemorei um ano de namoro. em 2010 vi minhas amigas se espalhando por três estados. em 2010 entrei pra faculdade de história. em 2010 comecei a chamar os amigos do meu namorado de meus, e foi a melhor coisa que aconteceu no ano, so far. em 2010 vi minhas amigas se reunindo em volta da mesma velha mesa de bar e rindo mais alto que todos pela milésima vez, mas teve gostinho de primeira vez. em 2010 arrumei meu primeiro emprego. em 2010 fui demitida pela primeira vez. em 2010 larguei da faculdade. em 2010 meus pais se separaram. em 2010 passei no vestibular para pedagogia, numa faculdade particular. em 2010 passei para a segunda fase da Unicamp, para pedagogia, pela primeira vez.
e por enquanto é só isso.

o que posso dizer a mais é que:
em 2010 espero passar meu quarto reveillon com as Marias. em 2011 espero comemorar meu segundo ano de namoro. em 2011 espero voltar a faculdade e adorar o novo curso. em 2011 espero arrumar meu segundo emprego e ficar mais que um mês nele. em 2011 espero zerar Chrono Trigger. em 2011 espero passar me quinto reveillon com as Marias. em 2011 espero continuar muito amiga da Gisele, do Mateus, da Mônica, da Ruiva, do Zé, como sou a tantos anos. em 2011 espero ser feliz.

morte

ultimamente tenho tido um terror absoluto de morrer de repente, não sei porque.
não tenho medo de morrer deixando coisas para trás, ou morrer sem ter finalizado coisas que nem ao menos comecei e tudo o mais. nem tenho medo de sentir dor nem nada. nem de ser demorado.

eu tenho medo do que vem depois. e de não me acostumar. e de que seja realmente pra sempre, a pós-existência. afinal, me namorado foi viajar dia 8. só vou me reunir a ele QUEM SABE dia 28. e esse vinte dias me parecem a coisa mais angustiante do mundo. já se passaram mais de 10 dias e tem sido uma tortura. para quem sabe como nós somos, quem nos vê na nossa rotina, quem acompanha de perto e bastante, sabe o que um significa pro outro. e 20 dias sem ele me parece uma vida.

agora, imagine passar a eternidade sem ele? e sem minha irmã, pessoa da qual eu não me afastei por mais de sete dias consecutivos em 19 anos??? sem tumblr??? e eu lá sei se pode fumar lá pra onde eu vou? e eu lá sei se não vai ser o cigarro que vai me mandar pra lá??????


mas hoje eu tava pensando nisso DE NOVO, e li sem querer a seguinte frase, sobre a primeira vez que a gente encosta na mamãe pelo lado de fora: ' depois do medão que deve ter sido mudar de ambiente e plano, o quão confortável não tava aquele colo.' e eu fiquei refletindo sobre isso e é meio que assim que eu imagino ser morrer. mudar de ambiente e plano, drasticamente. será que haverá um colo de mamãe pra mim do outro lado?


Kat: What's it like to die?
Casper: Like... being born, only backwards. 

eu sei que é meio que babaquice e carencia da minha parte, mas estou me sentindo bem abandonada no momento.
okay, sai com gisele, monica e mateus no sábado. foi ótimo. ótimo mesmo. e apesar de o mateus ter vazado do nosso ponto de encontro pra ir ver um show porque eu me atrasei meia hora, eu não me senti abandonada, nem mesma nessa hora. aliás, eu entendi perfeitamente bem. quer dizer eu não faria isso em nenhuma situação, mas eu conheço o mateus desde 2006, e conheço relativamente bem, e ele é um dos meus melhores amigos, e eu sei como ele é. foi realmente coerente da parte dele, and didn't do me no harm.

mas aí é que está o negócio. (por estranho que pareça) citei justamente esse exemplo porque ele não se encaixa no que eu quero dizer. mas há situações parecidas como essa que me incomodam, e muito. simplesmente pelo fato de que ~eu não faria isso~
estou realmente num estágio em que isso começou a me irritar demais.
as pessoas agem comigo, falam comigo de um jeito que eu não faria com elas, e o pior de tudo: me vejo fazendo coisas e falam coisas para pessoas que nunca agiriam dessa forma comigo.

um exemplo inofensivo e anonimo: há gente que vem perguntar pra mim como ela deve cortar o cabelo, e eu paro tudo que estou fazendo e realmente reflito a respeito, e coloco na voz o maior tom de 'isso realmente me importa' quando, vamos concordar, não há jeito possível de isso realmente me importar. mas eu acho que todo mundo fica feliz de ver os outros se importando com você. então eu faço. mas na situação contrária! se eu digo coisas do tipo: 'que cor de esmalte eu devo usar??' ou mesmo: 'que carreira eu devo seguir??????' e a pessoa está relativamente ocupada ela murmura 'aah, sei lá...' e nem levanta o rosto pra mim.

isso não me machuca porque a pessoa não se importa, por eu sei que não é fácil de se importar com a cor do esmalte que outra pessoa usa.mas me magoa perceber que in the otherwise eu me importaria com isso, OU PELO MENOS FINGIRIA ME IMPORTAR, como se a questão fosse de vida ou morte.

e fica um pouco pior se eu penso em coisas realmente importantes como quando me oferecem a chance de ir viajar pra um lugar que eu quero muito ou fazer algo que eu quero muito e eu simplesmente NÃO CONSIGO aceitar se alguém importante pra mim também quer ir/fazer e não está incluida na situação.
já cansei de pensar sobre isso e em todas as situações a resposta é sempre a mesma: 'pare de ser trouxa, nádia. vá. simplesmente vá.'
mas por causa de um monte de coisas que aconteceu na minha vida nos ultimos anos, eu não consigo evitar de me sentir culpada quando estou feliz e alguém que eu amo não está.


essa falta de reciprocidade em 80% das minhas relações está me cansando.

trabalho de uma vida

Acabei de fazer uma lista definitiva e revisitada e tudo mais das 25 Melhores Músicas dos Beatles.
Achei que não ia ser relevante em nenhum lugar que eu postasse, mas seria um tanto quanto meeeeenos irrelevante se eu postasse aqui porque
1. deu trabalho. muito.
2. isso é uma coisa polêmica que gera discussão. e principalmente...
3. ilustra com tanta clareza quanto marshall's pie chart describing his favorites bars and his bar graph describing his favorites pies como a minha vida anda. é sexta-feira, 1h e tanto da madrugada e eu estou sentada no quarto da bia fazendo uma lista que simplesmente não pode ser feita e que pode ser considerada como o trabalho mais efêmero de todos do mundo depois das esculturas de areia. eu não sei porque mas tenho a sensação de que deveria estar bêbada agora. e lá fora. e de sapato. e dançando. e conhecendo pessoas. mas não posso dizer que DEVERIA ESTAR me divertindo porque, HELL YEAH, foi divertido fazer essa lista.
então a conclusão que eu chego é que talvez eu esteja mudando. ou talvez o mundo a minha volta esteja mudando. mas, AH, o solo de Being For The Benifit Of Mr. Kite nunca muda, e a sensação que tenho ao ouvi-lo nunca vai mudar, eu espero.


soooooooooooo, here it goes.
(lembrando que não está em ordem. só destaquei essas das outras centenas. por em ordem é algo pra ser feito talvez no dia que o allan morrer ou eu me aposentar ou meus filhos sairem de casa. então será em ordem alfabetica, apenas)


A day in the life
Across the universe
Act naturally
And your bird can sing
Being for the benefit of mr kite
Carry that weight
Dig a pony
Fixing a hole
For no one
Golden slumbers
Here comes the sun
I am the walrus
I me mine
I’m looking through you
I’m only sleeping
Nowhere man
Oh! Darling
She’s leaving home
Something
Strawberry fields forever
The end
We can work it out
While my guitar gently weeps
Yes it is
You can’t do that




e aí? que acharam? qual vocês acham que foi uma HERESIA não ter colocado? comentem, just once :)
estou a dias ensaiando um post sobre um quadrinho genial que eu li. dei uns print screens nas cenas mais sensíveis e doces. foi isso que me deixou fascinada pelo Asterios Polyp. A sensibilidade e doçura, e as sacadas absolutamente geniais sobre a condição humana e blablabla.
essa é uma das sacada geniais: desenhar cada ser humano com um traço, de acordo com a personalidade do personagem.

a idéia do holofote ao lado, mas nunca sobre ela, é de uma sensibilidade impar, e linda.

e o fato de eles serem tão diferentes e se gostarem e tal. ah, que lindo.

e os traços se confundindo... OMG.

 eu queria até postar mais coisas, mas não quero ser spoiler queen, como o allan me chama.






e além do mais, o allan foi embora pra itapeva ontem. hoje amanheceu tudo cinza e apagado e nada mais me importa direito.

fato acontecido em fevereiro de 2009

hoje eu olhei pra um cara que a gente vê as vezes aqui em americana, um tal de chuchu, e disse pra bia: 'será que esse rapaz não tem um tênis?'. isso porque ele tá sempre com uma sandália muito massa, completamente jesus christ super star. claro que eu não tava pretendendo com isso troçar dele nem nada. era uma piada, uma das bem imbecis. coisas entre eu e bia, sabe.



lá naquele lugar só há gente bizarra. bizarrices de primeira linha, mesmo. coisas que a gente se recosta, com o cigarro na mão e fica quieta observando. coisas boas mesmo de se observar, eu penso. foi esse meu erro principal quando fui lá pela primeira vez, eu achava que devia me entrosar naquilo, ser um deles, fazer parte do circo todo. hoje eu sei, aquilo é uma jóia rara de se observar, mas só observar mesmo. quando eu perceber que estou começando a virar uma daquelas meninas que vão TODAS de salto alto, colar comprido no pescoço e blusa de um ombro só aparecendo um sutia preto ou de onça, eu caio fora na hora. peço pra bia me internar.
ainda vou escrever um livro sobre aquela gente.


e eu pensei sempre assim. acho divertido ver e tal, comentar, rir, entender esse comportamento humano. euentendia perfeitamente que somos diferentes, eu e eles.


mas hoje eu compreendi de verdade que somos diferentes. porque a bia me respondeu, em sua infinita sabedoria, sobre o não-tênis do chuchu: 'ele deve olhar pra gente e pensar: essas gurias não têm uma sandália, não??'




thin line.
as vezes eu estou a toa na internet e me deparo com palavras ditas por outras pessoas que do nada trazem toda uma tristeza e uma euforia.
agora pouco eu li: 'sexta vamos no primo's, né?'

meu avô tem o costume de me dizer com relativa frequencia: 'esquece aquela cidade. isso só faz você sofrer. aquilo não é mais a sua vida. viva para o presente. largue mão do passado, sua boba'.

talvez ele nunca tenha passado por uma experiência assim, eu acho. quando você encontra um lugar, alguém, um som, um cheiro, um gosto que pode realmente trazer a tona tudo o que há de melhor em você.
eu penso na pessoa imatura, mentirosa, pequena e meio podre que eu era aos 15 anos. aí penso na pessoa que eu era aos 18. talvez, TALVEZ, fosse um caminho normal, algo que aconteceria de qualquer forma. mas eu sei que não. eu sei que não.


as vezes eu acordo e tudo o que eu queria era tomar um banho e ir até a casa da marta, fazer brigadeiros ou ficar na internet rindo alopradamente. quem sabe jogar um the sims e mais tarde pedir uma carona ao deco até o making off, e dançar até a hora que a banda parar.
talvez fosse um dia de semana e eu estivesse na escola. com sorte, poderia ser um dia de educação fisica, então eu e o jeferson nos refugiaríamos no canto mais obscuro do minas, para falar dos nossos sentimentos mais obscuros ou das experiências mais obscuras. a gente poderia chorar. ou rir até se acabar.
se fosse um final de semana, eu gostaria de andar de madrugada até minha casa com a duda e a bia ao meu lado, falando da noite ou de coisas mais sérias, e então quando chegassemos em casa, minha mãe teria feito um bolo, um café ou teria pão com mortadela. a gente comeria e iria se deitar, para conversar mais um pouco antes de dormir. e ai no dia seguinte quando eu acordasse, a eduarda já estaria acordada há horas na cozinha com a minha mãe, e talvez ela poderia me receber me contando uma coisa estranha que eu tivesse dito enquanto dormia.
se a duh tivesse ficado em itaberá, então muito provavelmente eu iria com a mô pegar uma moto para casa. antes de ir atéo disk moto, a gente levaria a marta em casa, e na volta ela seguraria meu braço daquele jeito que só ela segura e a gente sentaria num cantinho pra conversar. externar nossas preocupações e orgulhos das nossas marias, e perder a noção do tempo, como aconteceu tantas e tantas e tantas vezes.
muitas vezes também, eu estava andando sozinha pelo centro e encontrava a adriele de mochila nas costas e oculos de sol. na mochila, umas 2342165 mil contas da tia dircéia, que proporcionariam uma verdadeira procissão pelas mais variadas lojas da cidade. no fim, juntaríamos moedas e repartiriamos um cachorro quente no juninho.

tenho a sensação que adoraria ter cada uma delas só pra mim, por meia hora cada, que fosse.
e de repente eu percebo que a resposta pode sim estar ao meu alcance.
a mágoa não faz sentido.

e talvez amadurecimento seja isso. porque eu fiquei dois anos lutando para não odiar(coloco em itálico porque a palavra é muito forte e não é muito exata) duas pessoas.
e eu sabia: é só não odiar. sua vida VAI pra frente. assim que você largar desses dois baús te arrastando pra trás. mas e o know how? isso eu não tinha.

mas há algum tempo, e eu não posso precisar de mês, nem de semana e muito menos de dia, eu tenho percebido que não era ódio. nunca foi ódio. por nenhuma das duas.
pela primeira, era inveja. eu não tenho realmente medo de admitir. era medo e inveja. e um pouco de despeito. e uma outra coisa que eu ainda não consigo definir, que não é de maneira nenhuma desapontamento, mas me fazia pensar: 'como é que você pode fazer essas coisas?? eu não mereço respeito??? tudo o que eu quero é respeito!'
mas hoje eu sei a resposta, e, citando de um filme, é essa: 'i can't spend my intire life being jelous of you. i can't and i DON'T have to. because he's got you on a pedestal and me in his arms.'.
então é isso. é comigo que ele vai pra casa. beijos. não tenho porque me descabelar a toa. porque ele é o homem que eu amo, e eu sou a mulher que ele ama.


pela segunda, era decepção. a maior decepção que eu já senti. porque a raiva me cegou de tal forma, que além de eu ver 100000 de vezes pior cada coisa ruim ou errada que ela fazia, eu totalmente apaguei da minha mente qualquer coisa boa que ela pudesse ter feito, ou sido.
mas a vida é assim. a gente se decepciona. eu nem posso afirmar com certeza o numero de pessoas que eu já magoei. e ninguém é perfeito. e se eu vou ser tão indulgente com os meus erros, não há mal em ser com o dos outros. eu luto dia a dia para ser cada dia menos hipócrita, juro que luto. 
então acabou. 
eu quis estar sozinha, desejei com todos os átomos do meu corpo: o silêncio.
desejei a liberdade total. eu sempre tive uma certa certeza de que a liberdade só se alcança quando se livra das pessoas. amar, cuidar, conversar, abraçar, tudo isso te prende. você nunca vai poder fazer tudo o que quiser fazer enquanto se preocupar com as pessoas, enquanto conviver com as pessoas, enquanto as pessoas te amarem. um esquema meio Into TheWild. e eu quis a liberdade com todas as minhas forças.

eu quis estar sozinha. o poder do silêncio me seduziu. a idéia de que eu poderia florescer. me conhecer, pensar, viver, ser, no absoluto silêncio. eu só poderia dizer: EU SOU EU MESMA quando estivesse completamente sozinha. SOU LIVRE. porque, por exemplo, eu nunca era capaz de dizer que algo era feio, ou que eu não gostava da tal coisa se a pessoa que eu amasse achasse aquilo bonito ou gostasse e tudo o mais.
as pessoas que eu amo sempre vieram muito acima de qualquer coisa e eu tinha me tornando incapaz de opiniões, incapaz de ser eu mesma. e eu odiava aquilo.

hesitei tanto em procurar a solidão porque eu sempre gostei MUITO de conhecer a vida dos outros e viver mil vidas em uma só. isso ia além dos livros, era uma curiosidade intensa, de conhecer a vida por todos os vértices e saber como pensam as pessoas, como vivem as pessoas, como agem as pessoas.
e o espetacular teatro do drama humano prosseguia, sempre a encantar aquele que parava para apreciar.

de repentíssimamente eu me toquei de que não tinha ideia de quem eu era. não sabia ao certo como eu pensava, como eu vivia, como eu agia. era uma folha em branco sendo preenchida pelos pensamentos alheios, vidas alheias, atos alheios. passei tanto tempo buscando entender a natureza humana, que coloquei tudo no mesmo saco, sabe. incluse eu mesma.
cometi um erro grotesco. sempre dei corda pra todo mundo falar e sem perceber acabar se mostrando. nunca dizia a ninguém minhas verdadeiras opiniões. até que há alguns anos resolvi largar mão disso.
e me tornei grosseiramente sincera, escrotamente sincera, nojentamente sincera.
então a vida por si só se encarregou de me levar pra longe dos meus amigos.




me exclui do convívio com as pessoas para conhecer a mim mesma




















não gostei do que vi.











so here i am. trapped inside myself. and there's no fucking windows.

significado

uma vez no cursinho, meu professor gato disse que literatura é linguagem carregada de significado. e boa literatura é linguagem carregada de muitos significados.
enfim. no momento, eu não entendi. porque na minha cabeça, qualquer livro carrega significado, até mesmo esses babaquinhas do paulo coelho ou da meg cabot [parenteses: não vou mentir: li coisas do sir paulo e até gosto e a meg eu amo loucamente]. quer dizer... todos eles significam alguma coisa, numé?
foi ai que um dia fuçando nos livros do meu pai - que tem um gosto irritantemente excelente -  eu achei um livrinho velho, de capa amarelada, com uns rabiscos à la picasso numa linha só de uma mina pelada e um cara de sobretudo. chamava 'A Insustentável Leveza do Ser'. eu, na minha infinita ignorancia, nunca tinha ouvido falar (esse livro é bem famoso). comecei a ler e MANO.

como eu posso descrever... eu fiquei embasbacada. é tão ridiculamente bem escrito. e mais do que isso... é, sim, linguagem carregada do maior numero de significados possíveis.
aí eu entendi. porque, MANO. cada capítulo era um estupro mental. eu me sentia realmente assim, estuprada mentalmente, virada do avesso, cansada, até. todo capítulo gerava tanta elucubração (desculpem aí o vocabulário meio extremamente pedante, mas é que eu leio mais do que seria saudável e essa palavra define melhor do que qualquer outra) que era impossível prosseguir. eu tinha que parar, respirar, pensar bastante. era uma leitura dificil, mas não porque tinha palavras complicadas ou seguia uma linha tortuosa ou tinha muita informação de cada vez. era difícil porque a cada capítulo o Milan Kundera(esse é nome do manolo que escreveu essa pedrada) obriga a gente a entrar em contato com coisas muito fundas da nossa mente (quem preferir substitua pela palavra 'alma'), coisas realmente obscuras, que a gente se força a esquecer ou manter o menor contato possível com elas. são coisas que nos dão um grande auto-conhecimento. as vezes machucam, as vezes fascinam, mas eu posso dizer: nunca é fácil. sentir nunca é fácil.

mas aí que tá... é uma história bem simples, contada por quatro pessoas. primeiro o tomas, que é um mulherengo que separa muito bem 'alma' de 'corpo' e por isso trai a mulher dele o tempo todo. depois a tereza, que é a dita mulher e que vê a sua alma como uma coisa muito mais importante do que o corpo e sofre muito com as traições do marido. aí vem a sabina, que é a mulher com a qual o tomás trai a tereza. ela acha que o corpo é que é o importante. e por fim vem o franz, que é um cara muito do desinteressante e sem graça, que não dá relevância nem pro corpo e nem pra alma, só para a mente. ele larga da mulher dele pra pegar a sabina.
essas, obviamente, são conclusões que eu cheguei. não digam que estão certas nem erradas, porque esse lance de interpretação é assim mesmo.

por incrivel que pareça, não era sobre o livro que eu queria escrever. o que eu queria dizer mesmo é que hoje não estou com saco para estupros mentais. queria assistir house, mas as vezes ele me estupra também, então fui assistir glee. pensei em ver into the wild, que um filme com o mesmo poder que a insustentavel leveza do ser tem sobre mim, mas deixei pra lá. até ia tentar ouvir bob dylan ou regina spektor. mas, MANO.

de uns tempos pra cá não tenho saído muito, nem falado com ninguém. só jogo video game pra abstrai e leio loucamente. enfim,  eu penso demais. o tempo todo. e eu acho que essa é a raiz dos meus problemas.

eu não quero pensar.

[mas não vou negar: ser estuprada mentalmente em situações normais.. oh, it feels good]